DPU pede gabinete de crise na busca por repórter na Amazônia

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DPU pede gabinete de crise na busca por repórter na Amazônia

Defensoria Pública da União diz que ainda não há uma plena coordenação nas buscas e que gabinete traria maior efetividade na procura pelos desaparecidos

Defensoria Pública da União diz que ainda não há uma plena coordenação nas buscas e que gabinete traria maior efetividade na procura pelo jornalista Dom Phillips e pelo indigenista Bruno Pereira.A Defensoria Pública da União (DPU) pediu à Polícia Federal (PF) nesta sexta-feira (10/06) a instalação de um gabinete de crise na cidade de Atalaia do Norte, no Amazonas. A intenção da DPU é agilizar as buscas por Dom Phillips, jornalista britânico e colaborador do jornal The Guardian, e Bruno Pereira, indigenista e servidor licenciado da Funai (Fundação Nacional do Índio).

Até o momento, a PF trabalha em um comitê localizado na capital Manaus, distante mais de 1.100 quilômetros de Atalaia do Norte, destino final de Phillips e Pereira, que estão desaparecidos desde domingo na região.

Além disso, a DPU pediu à PF a participação de indígenas e o reforço nas buscas por ambos, com o argumento de que a União das Organizações Indígenas do Vale do Javari (Univaja) indicou que a colaboração de indígenas pode acelerar o processo para encontrar Phillips e Pereira, já que conhecem a área de maneira efetiva.

O órgão também ressalta a necessidade de acompanhamento por um indígena indicado pela Univaja em cada uma das embarcações e aeronaves utilizadas nas buscas.

No documento, a DPU pede que as reuniões do gabinete de crise ocorram todos os dias com os órgãos de segurança pública que participam do trabalho, a exemplo da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas, Exército, Marinha, Polícia Federal, Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Funai e Univaja.

O principal argumento da DPU é que ainda não há uma plena coordenação nas buscas, e que o gabinete de crise traria maior efetividade na procura por ambos.

Também foi solicitado, por parte da DPU, o cumprimento da decisão da juíza federal Jaiza Maria Pinto Fraxe, da 1ª Vara Cível do Amazonas, que na última quarta-feira determinou o reforço nas buscas com o uso de helicópteros, embarcações e equipes de buscas.

Nesta sexta-feira, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (Acnudh) pediu que o governo brasileiro aumente os recursos e esforços nas operações.

Ravina Shamdasani, porta-voz do Acnudh, fez críticas à demora para iniciar as buscas. Em resposta ao presidente Jair Bolsonaro, que disse que a dupla desaparecida fazia uma “aventura”, Shamdasani disse que o Estado tem obrigação de proteger jornalistas e profissionais que trabalham na defesa dos direitos humanos.

Perícia em barco de suspeito

Nesta quinta-feira, a PF disse que realizaria uma perícia no que acredita ser material genético encontrado na lancha de Amarildo Oliveira, pescador conhecido como “Pelado”, suspeito de envolvimento no desaparecimento de Philips e Pereira.

Amarildo, de 41 anos, foi preso na última terça-feira por posse de “munição de uso restrito, além de chumbinhos e uma substância entorpecente”, segundo informações da PM.

Testemunhas disseram aos policiais que o seu barco teria perseguido a embarcação que transportava Phillips e Pereira antes do desaparecimento de ambos.

Eles desapareceram quando percorriam, de barco, o trajeto entre a comunidade ribeirinha São Rafael e a cidade de Atalaia do Norte, no vale do Javari, no estado do Amazonas, e foram vistos pela última vez na manhã de domingo, quando deixaram São Rafael.

De acordo com a Univaja, da qual Pereira faz parte, a dupla deveria ter chegado a Atalaia do Norte entre as 8h e as 9h de domingo. A Univaja enviou equipes de busca no mesmo dia, mas não obteve sucesso.

Dom Total

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